terça-feira, 15 de março de 2016

SÓ VAI


Sou cheia de cicatrizes, mas quem não é?
Posso perdoar mentiras, traições e abandonos, mas não esqueço.
Você saiu da minha vida no momento que mais precisei. Me deixou em uma casa que até então eu não fazia parte, com uma família que por convenção era minha, mas que eu não considerava.
Eu gritei, pedi, implorei, rastejei por você, mas ir atrás de um amor que não lhe queria era mais importante do que aceitar o incondicional que eu tinha para dar. Mal sabe quantas noites chorei por tua ausência.
 Que até hoje choro.
 Por não ter tido a referência, porque não se abandona uma pequena, por todos os danos psicológicos que você me deixou, por não permitir que ninguém se aprofunde em minha vida, por todos esses sete anos de terapia que me fez frequentar.
Eu ainda fui atrás, por muitos anos corri por migalhas de amor, onde uma semana ao ano a palavra “fingir” se tornava ordem. Você fazia carinho, almoço onde eu me enganava ao acreditar sermos família, onde eu tinha plena convicção que aquilo poderia ser eterno, eu apostava todas as minhas fichas achando que dali em diante eu voltaria a ter mãe.
Cresci.
Entendi que nunca tive. 
Nunca tive a mulher da minha vida. Aquela coisa de “conselho de mãe” “colo de mãe” “abraço de mãe” “amor de mãe”? Não me foi dado. Eu acreditei no fingimento, porque com você sempre foi assim, interesse mútuo. Eu clamando pelo sentimento e você pelo material.

Agora não venha querer correr atrás do tempo perdido. Eu não preciso mais dessa fantasia.
Não quero.
Me nego.
Sou grossa, grito como criança mimada, bato o pé, ordeno que saia da minha vida.
Não peço muito, só que me deixe.
Porque eu sei que não sou eu quem lhe faz falta. Porque eu vejo que o brilho dos teus olhos é mais intenso ao ouro.


E a cada abraço eu vejo aquela menina caída no portão ao te ver partir.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

VEM DEVAGARIN



   Aqui dentro ainda tem rabiscos deixados por quem veio sem vontade de ficar. No coração tem pegadas de quem pisou, deixou marcas e se foi, fazendo com que o concreto que virou meu peito esfriasse.
E como esfriou.
Blindou.
Fechou.

   Aí me vem você, querendo entrar desse jeito que me deixa tão sem jeito. Eu te peço, não venha chutando a porta. Não ache que pode voltar a bagunçar tudo isso que eu penei tanto para colocar em ordem. Ou pelo menos digo que coloquei.

   Ficar comigo mesma tem sido bom. Eu sei, tardei, mas enfim acostumei com minha companhia, com meu amar e assim me bastar.

   Se lembra que sou peixe, em pessoas rasas não posso nadar. Necessito de quem entenda a imensidão e profundidade do meu oceano. Por isso eu te digo, não prolongue a conversa se não puder demorar.

   Entenda, dói mexer nessas feridas que eu insisto em dizer que estão cicatrizadas mas que na verdade são fraturas expostas de uma alma em reabilitação.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

CORAÇÃO ABARROTADO



   Com essa história de amar, me vi nas mãos de quem só queria a efemeridade dos sentimentos vazios. 
   Nessa de me apaixonar, escutei falsas juras de outrem que queria nada além do desejo dos corpos e posse da carne.
   E agora me vejo assim, peito rotulado e coração pela boca, com definições distintas de Drummond ou Vinícius, mas com semelhante carga que um dia fez tamanho peso por dentro que se esvaíram por linhas escritas cheias de emoções.

  Tenho coração mordido, marcado, sofrido. Alma abstrusa, doída, sentida. Peito rasgado, suado, cansado. 

domingo, 21 de junho de 2015

NÃO ME DEIXE ENTRAR



  Eu acreditei quando você disse que eu não era apenas mais uma na sua infinita lista, que era diferente, que comigo você se sentia livre e a vontade.. Eu com minha boba mania de querer decifrar as pessoas, me desmanchei quando me disse que tinha medo de se apegar as pessoas, logo tentei desvendar todos os possíveis traumas que te deixaram assim, e já queria, como sempre, curar esse coração que imaginava ter sido destruído por outrem.
  Acreditei quando disse gostar muito de mim, e aquele abraço forte que me deu logo em seguida me fez sentir acolhida, por alguns instantes achei que eram sinceras suas palavras. Quando eu te deixei dormindo na minha cama para ir trabalhar fiquei com um nó no peito, daria tudo para continuar alí ao seu lado, mas meu coração pulou quando voltei e li o bilhete onde dizia se importar de verdade comigo, que sempre estaria ao meu lado para tudo o que precisasse..
 Por alguns dias eu acreditei que talvez pudesse haver um futuro para nós.. Já estava amando o momento em que você não trouxe o café na cama para mim, idealizei o jantar com sua família que não existiu, pensei na conversa que não tive com sua mãe sobre meus planos para o futuro, me vi no shopping fazendo compras que não existiram para mudar seu estilo que eu tanto criticava, nos meus pensamentos te arrastei para todos os restaurantes, shows e exposições que eu tanto adoro, para tentar te mostrar um pouquinho do meu mundo, quem sabe assim você se apaixonasse de vez por mim. 
 Eu até fantasiei aquela nossa viagem pra Europa que nunca fizemos!
  Mas durou pouco! Porque com você tudo sempre dura pouco.. Na semana seguinte, quando me chamou para o cinema eu já estava sentindo que não seria bom, sei lá, desde pequena tenho esses apertos no peito quando algo vai dar errado, mas a ansiedade é tanta que não sei respeitar meus limites. E como era esperado, fui embora despedaçada em milhões de cacos depois daquela conversa em que você deixou claro que a nossa relação nunca evoluiria.. Não sei se disse aquelas duras palavras para me afastar, ou se você realmente é esse cara frio e insensível que descreveu.. Mas teve seu lado bom, eu juro que teve! Percebi que não te conhecia, que o homem que eu estava idealizando era fruto da minha fértil imaginação, o que eu estava saindo não passava de um menino egoísta e perdido. Perdido em suas ações e sentimentos.. Na verdade, perdido no mundo! E que quase me levou nesse navio, já que eu estava me perdendo nas falsas palavras que saíram da sua boca.. A verdade é que eu nunca gostei de você, menino! Tudo não passou de um desafio, eu queria conquistar aquele coração tão vazio, queria mostrar para mim mesma que todo esse amor que me inunda, poderia aquecer até os mais frios sentimentos.
  Mas foi bom, de verdade, por mais que não acredite, você me ensinou muito! Notei que existem pessoas que simplesmente não se importam e que não querem mudar porque o comodismo é seu amor maior. 
 Eu espero que um dia você se encontre, moço, e perceba o quanto eu te quis bem...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

EU MINHA, ELE DA VIDA

Eu medo, ele coragem.
Eu ácido, ele base.
Eu casa, ele mundo.
Eu água, ele ar.
Eu fico, ele vai.
Eu ilusão, ele compaixão.
Eu emoção, ele razão.
Eu apego, ele descarta.
Eu descarto, ele restaura.
Eu fui
Sem rancor
Já que nunca foi meu, e eu nele me perdi.
Parti.
Para me encontrar em outra esquina.
Outro bairro.
Outro mundo quem sabe.

domingo, 29 de março de 2015

A IRONIA DOS DOMINGOS



Ainda não consegui descobrir o porquê, mas de fato odeio os domingos!
Não existe um domingo, desde que me conheço por gente, que eu não fique estressada.. Dou patada, grito, xingo ou choro.. Coitado do meu pai, Domingo, que tem que aturar essa filha desequilibrada todos os dias!

Talvez seja por que as grandes despedidas da minha vida foram encenadas em um domingo.. Como quando minha mãe foi embora e me deixou gritando no elevador que ela era o que eu mais amava na vida, ou quando pedi um tempo para o meu ex sabendo que aquilo era um adeus, então fiquei horas chorando atrás da porta.. ou quando minha irmã foi morar fora dizendo que voltaria em breve, mas no fundo sabia que ela nunca mais dormiria no quarto ao lado.

Talvez seja por que os teatros de famílias felizes sejam protagonizados por insuportáveis almoços de domingo.. Aquele dia que você tem que se vestir de boa moça e esconder os piercings, falar pra toda a família, inclusive para aquela prima insuportável, sobre suas últimas conquistas, seu novo emprego Í-N-C-R-I-V-EL e como sua vida esta feliz (mesmo sabendo que tudo isso não passa de uma mentira deslavada e que na verdade não tem tido tempo nem pra dormir, de tão desorganizada que esta)

Talvez eu não goste de pensar que vou virar a madrugada fazendo aquele trabalho que foi passado há um mês, mas que empurrei com a barriga até o último momento (como sempre).. Ou que tenho que começar a dieta, me matricular na academia, começar o novo curso, ver a papelada do intercâmbio e todas as coisas novas que quero começar a fazer, mas que vai ano vem ano eu nunca faço.

Não gosto dos domingos pois eles me fazem refletir sobre as decisões erradas que tomei na vida, nos amigos que larguei pela estrada, nas atitudes infantis que tive com um certo alguém, na saudade que sinto das pessoas que não estão mais aqui e no porquê todo mundo que realmente importa um dia vai pra longe.


É que eu acho que vivo tão intensa e despreocupadamente os outros dias da semana, que sobra para o Domingo, coitado, aturar minha melancólica e frustrada tristeza.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

DETESTÁVEL INCONSTÂNCIA


Difícil se acostumar com o que nunca nos foi dado, com belezas diferentes, amores inconscientes.

Dormir e não sonhar, despertar e não andar, ler e não pensar, pedir e não ganhar.
Sentir medo e não correr, querer e nunca ter, perder sem perceber, e no fim simplesmente não ser!

O medo de ser o muito daquele pouco, ou demonstrar pouco com medo de ser muito.

A rejeição passa a ser aceitação, e tudo se inverte na imaginação.
São mais pensamentos que atitudes, mais defeitos que virtudes.
O falso que parece verdadeiro, a mentira que queremos acreditar.
As palavras que passam a ter sentido, o forçado que se torna crível.
O longe que queremos perto, o errado que parece certo.
E quando se passa tudo isso para a realidade, o belo passa a ser sujo, o colorido torna-se morto, o amor vira solidão...E acreditar em você, não faço mais questão!