E jogar fora o que feriu o lado esquerdo do peito
A família feliz, os chocolates escondidos nas almofadas, os dias em que dormíamos as três na mesma cama, assistindo filmes e as duas fazendo suas peripécias cotidianas. São essas as lembranças que sinto saudade.
A falta de vocabulário, e a baixa clareza mental não afetavam a relação das três. Pelo contrário, era o que deixava tudo com uma pitada a mais de gozação.
A música em alto volume, as danças descoordenadas, os gritos de alegria... a brincadeira vivia na flor da pele.
As fantasias de improviso vestidas nas pequenas, as fotos cômicas, e os ataques de feminilidade passando batom vermelho borrado, são o que construíram parte de mim.
A comida caseira era feita pela mulher mais vaidosa do mundo, que tinha seus perfumes importados, as maquiagens chamativas, e as roupas decotadas.
São essas as coisas que quero ter pra sempre vivas....e o resto, que necrose na mais profunda pele morta do meu ser.
Não quero viver de rancor, nem de mágoas. Isso só me faz sofrer.
Gostaria de reviver os dias em que tive tamanha alegria capaz de absolver qualquer culpa pelo fim dessa história.
Em toda grande tragédia, parte da história é bela
