terça-feira, 19 de outubro de 2010

INDEMONSTRÁVEL

Se diz forte, corajoso, invencível, correto, inteligente e todas as qualidades as quais um dia sonhou ter.

Para crescer na vida, impôs a si mesmo como regra fundamental, não demonstrar os sentimentos, e ser implacável diante de situações críticas.

Pôs em sua bagagem uma vida de suor, trabalho, esforço, e batalha, e agora acha fundamental expor, e exigir aos outros que sejam iguais.


Conseguiu o que quis, admiração, trabalho, filhos, e dinheiro, o qual cultua como se fosse seu  templo mais sagrado.

Mas lhe falta algo, é a fechadura de ouro que não possui uma chave que á tranque.

Sua imaturidade emocional impede de que se complete. Não é capaz de confiar plenamente, amar cegamente, se dar por inteiro. Não passa de um feto sentimentalmente irracional. Sua soberania apenas impõe medo e aterroriza todos, mas no fim das contas, o respeito que sempre quis é jogado ladeira a baixo pelos seus ditos “súditos”.

Não admite que alguém, com tanta pouca bagagem nas costas, seja capaz de ensinar o que ele nunca foi adepto a aprender. Ensinar a amar, aceitar, ser menos rígido e mais maleável. Só não conseguirá ensiná-lo a ceder.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

NÃO QUERO VIVER NO CETICISMO

Bonecas largadas, sonhos perdidos no tempo,desenhos rasgados, brinquedos cheios de poeira...
Só depois de ver isso, percebo que o tempo passou, e tudo foi levado nos ares da saudade.
Mas e agora? O que faço? Não tenho forças suficientes para enfrentar a vida!
É então que me desespero, e corro atrás do que sempre pedi para que se fosse, minha infância.
Mudo de canal e vejo os antigos desenhos, onde qualquer comédia barata me fazia rir. Me divertia com pouco, não tinha cobiça, nem a malícia que os crescidos tem.
É...precisei acordar de toda aquela ilusão, mas garanto, não foi fácil. Foi como se me puxassem, me arrastassem contra vontade. Me chamaram para viver no mundo real.
Mas não sei se quero entrar nesse jogo. Tenho medo de perder minha essência depois de descobrir do que são feitas as pessoas.
Será que minha pureza vai embora?
Será que vou me transformar em alguém que só pensa em si?
Não faço esse tipo. Não vou saber mover as peças para o lugar certo, afinal, na minha vida os outros sempre vieram antes de mim.
Lá fora, é tudo na lei do mais forte. A maioria pisa e maltrata para poder chegar ao topo.
Não, não é isso que eu quero.
Quero ser capaz de vencer sozinha, mas levando comigo todos os que me ajudaram, parece tão quimérico não?
Só o tempo será capaz de dizer o que me tornarei.
Só espero não ser vencida pelo sistema.
Não deixarei que levem meus valores por motivos egoístas.

UM POUCO DE TUDO O QUE É DIFERENTE

Tem uma parte de mim que não larga os princípios, e outra que sabe escutar
Uma que se comporta como uma lady impecável, e outra que grita e xinga quando tem raiva
Tem aquele pedaço que adora se destacar por suas habilidades, e outro que odeia chamar atenção
Um que adora curtição e musica alta, e outro que fica em casa vendo filmes românticos
A tempestade do meu corpo  é capitalista compulsiva, mas existem aquelas gotinhas que são socialistas
Tem um lado que diz sempre saber o que quer, e outro que nunca tem certeza do que fazer
Um que sabe o que é certo, e outro que adora violar as regras
Sou aquela que quer cuida do corpo como um templo, mas que a cada momento de ansiedade engole uma barra de chocolate
Uma que nasceu única, e outra que pegou um pouco de cada um que passou
É difícil mostrar o que se é, quando somos um pouco de tudo que existe no mundo.
Ao certo, não sei me definir, porque tenho o oposto de tudo que é incerto, afinal, isso seria indeciso, ou apenas comum?
Não consigo me encaixar em nenhum tipo de credo, cultura, ou sociedade, porque de todas que conheço, acabo absorvendo um pouco. Mas em uma coisa me encaixo perfeitamente, sigo os padrões de humanos diferentes de você.

SONHAR

Que falta liberdade é essa, onde eu não posso voar nem na minha imaginação? Tenho limites até para sonhar!
Pura hipocrisia! Seres humanos incompreensíveis que não me deixam ser feliz por dentro, me fazem viver em um sistema oprimido, onde tudo gira em torno do dinheiro!
Não posso sonhar em ser escritora, porque vou falir.
Não posso me imaginar nos grandes ateliês, porque a moda é um mercado ingrato.
Mas é o que eu quero? E o meu dom natural? Minha vocação simplesmente é descartada, como se nunca tivesse existido?
Eu SEI que sou boa! Mas ninguém enxerga além dos próprios olhos.
E infelizmente, meu sucesso depende do olhar sético, frio, calculista e insensível da sociedade.
Quando vou aprender a viver nesse mundo?
Um mundo que esqueceu o que é sonhar sem os pés no chão
Um mundo que não me deixa ser livre, não me autoriza ir além descrito pelas leis
Um mundo onde me sinto sozinha, trancada, amedrontada
Onde me sinto a ultima das verdadeiras sonhadoras.

LEJOS (para Gabriela Grillo)

Achava tão clichê dizer “fui embora, mas deixei um pedaço meu”... até o dia em que isso passou a fazer sentido.
A parte de mim que ficou com os amigos me puxa para completar o resto do que sou.
Me entreguei , apostei, e sedi  do meu ser, com a plena certeza de que isso me deixaria feliz.
Depois percebi o quão difícil é ir, e deixar as raízes. É como se me cortassem as veias,e não sentisse toda a intensidade do coração batendo como deveria.
Não sabia que era assim, não tinha pensado nas conseqüências que teria ao deixar amigos verdadeiros.
Agora estou aqui, perdida em um mundo onde não me encaixo, sou um quebra cabeça sem metade das minhas peças. Sei que não as perdi, mas minhas mãos não são capazes de alcançá-las. Sinto que estão perto, mas a parte física não está  para um abraço, um colo, um dengo, ou até uma briga.
Quero meu chão outra vez, quero voltar ao vale encantado, onde tudo parecia fácil, possível e realmente encantador.
Quero meus dias de sol, minhas noites de farra e minhas madrugadas varadas.
Se pudesse voltar, pediria os gritos soltados, as mãos estendidas, os sorrisos sinceros.
Tem horas que não reconheço meu reflexo, quem me tornei é tão diferente de quem era, talvez até o oposto. Não digo que sou pior, mas sei que estar longe de todo aquele mundo me fez ser algo diferente.
Não quero mais fingir, não agüento toda a falsidade. Sinto isso, porque sei que só com os amigos de verdade posso ser o meu eu interior.