Só não quero crescer!
Não agora, não desse jeito!
Me exigem maturidade, consciência, controle emocional. Pedem para que eu tome decisões definitivas, que eu saiba exatamente o que quero, sem que ao menos eu possa pensar! Colocam papéis, me pedem assinaturas, rubricas, testemunhos!
-Vai pra lá!
-Vem pra cá!
-Seja forte!
-Vai dar tudo certo!
-Vai dar tudo certo!
Me perguntam idade, nome, parentesco, data de nascimento, número de documento... Mas o essencial esqueceram de me perguntar: não querem saber se estou bem, se consigo aguentar tudo isso, se tenho estrutura suficiente para que o mundo desabe sobre mim! Não é possível que os olhos se fechem e não vejam que por trás da aparência séria, que tenta fingir ser uma adulta, está a mais pequenina criança, que só precisa de colo, e de alguém que a conforte, dizendo que não está tudo em suas mãos, e que ela não precisa amadurecer, pelo menos não agora. Que ela pode voltar a ser aquela irresponsável, que atira roupas pela casa, e se preocupa apenas com as futilidades que a vida traz.
E essas palavras de conforto, que dizem saber como é estar no meu lugar, mais do que clichê, são hipocrisias dos que nunca passaram por obstáculos na vida.
Não me coloquem em postos nos quais não posso agir, não acreditem na mais porca encenação da guria que tenta construir uma fortaleza pessoal, mas que no fim das contas se encontra perdida e apavorada com o mundo que acabam de lhe apresentar, o mundo desta gente grande e fria.


